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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Avaliações


Avaliados os alunos, as minhas colegas andam atarefadas com as suas autoavaliações. Por email trocam-se os PCT - Projecto Curricular de Turma - e outros relatórios.

Aqui fica, para exemplo, o PCT da minha turma de 7º (no 1º período):

«CARACTERIZAÇÃO DA TURMA:

Turma relativamente homogénea a nível etário e social. No entanto a nível dos conhecimentos não há uniformidade. Alguns alunos acompanham bem o nível de aprendizagens previstas nos programas mas a maior parte apresenta dificuldades diversas e falta de interesse. Os alunos revelam grandes dificuldades a Inglês devido sobretudo à fraca capacidade de concentração. Não participam de forma ordenada e produtiva. Não cumprem regras e perturbam o normal funcionamento das aulas. Têm um ritmo de trabalho bastante lento. Não conseguem mobilizar conhecimentos científicos e em usar instrumentos de medição (ET). Desempenho pouco satisfatório a nível do raciocínio (Matemática). Manifestam insuficiências no tratamento da informação. Muitos alunos apresentam grande desmotivação e pouca responsabilidade. Globalmente a turma não sabe estar numa sala de aula e respeitar as orientações do professor. Em EF a turma é globalmente empenhada mas a conflitualidade existentes entre alunos destabiliza as aulas.

DIFICULDADES/PROBLEMAS DETECTADOS:

Os alunos revelam atitudes incorrectas impeditivas da aprendizagem e há alguns casos de indisciplina problemática embora não muito grave. Além disso são desorganizados no seu estudo. Há diversos alunos com dificuldades de concentração, com dificuldade de acompanhar a aula, w outros que provocam distracção nos colegas, resultando num clima geral de falta de disciplina. Muitos alunos dão erros ortográficos. Revelam grandes lacunas em várias áreas do conhecimento assim como do domínio correcto da língua. Revelam grandes dificuldades no trabalho cooperativo (em grupo) e desorganização no trabalho de pesquisa. Falta de literacia necessária para acompanharem os programas e dificuldades de operacionalização matemática. Muitos alunos não trazem o material necessário para as aulas.

OBJECTIVOS DO PROJECTO CURRICULAR DE TURMA:

- desenvolver uma postura correcta dentro das aulas de modo a permitir a concentração no trabalho
- desenvolver a responsabilidade e autonomia dos alunos
- incentivar os alunos desmotivados através de reforço positivo
- criar um clima de cooperação entre os alunos e espírito de turma
- interpretação de textos de diversos tipos

COMPETÊNCIAS GERAIS A PRIVILEGIAR:

- participação em actividades respeitando normas e métodos de modo a desenvolver autonomia disciplina de aprendizagem e respeito pelos outros
- utilização de diferentes tipos de linguagens: textos, mapas, quadros, gráficos, fotografia, filmes, etc.
- pesquisa selecção e organização de informação, realização de actividades de investigação autónoma e criativa (Geografia)
- mobilização de saberes científicos e resolução de problemas

ESTRATÉGIAS A DESENVOLVER NAS DIFERENTES ÁREAS CURRICULARES:

Controlo do material da sala de aula.
Controlo da assiduidade e pontualidade.
Projecto de Geografia no moodle.
Erros ortográficos: emendar e rescrever várias vezes as palavras corrigidas.
Leitura orientada de textos atractivos.
Produção de textos escritos. Preenchimentos de textos lacunares. Exercício de resumo.
Desenvolver trabalhos de grupo para melhorar relações interpessoais.
Trabalho em pares.
Registo e resumos das aulas.
Centrar o ensino em questões do quotidiano.
Promover actividades de pesquisa.
Incentivar a expressão pessoal e criativa.

ACTIVIDADES A DESENVOLVER:

- trabalho individual
- trabalho de grupo
- trabalhos de casa
- visitas de estudo
- trabalho de investigação
- participação em actividades educação física

CONTEÚDOS DE CARÁCTER TRANSVERSAL:

Reforçar as competências ao nível da língua portuguesa.
Exigir o cumprimento de regras dentro da sala de aula.
Geografia e Português: descrição.
Geografia e Matemática: exercício de escalas.
Geografia e Ciências: Meio Natural.

CRITÉRIOS/INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO:

- testes de diagnóstico e formativos
- fichas de trabalho na aula
- registo de atitudes e comportamentos
- registos de intervenções orais
- peso dos testes formativos: 50%
- avaliação no domínio dos conhecimentos: 70%
- avaliação no domínio das atitudes: 30%
- auto-avaliação

CONTRIBUTOS DAS DISCIPLINAS PARA FORMAÇÃO CÍVICA:

Regras de estar numa sala de aula.
Grécia antiga: cidadania (História).
Desenvolver atitudes de auto-estima e respeito mútuo (EF).

CONTRIBUTOS DAS DISCIPLINAS PARA ESTUDO ACOMPANHADO:

Fichas de trabalho de diversas disciplinas.
Treino de técnicas de estudo.»

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resultados


Na minha turma de 7º ano, 7 alunos não transitaram num total de 24, ou seja, houve 30% de insucesso. Três acabaram por reprovar por excesso de faltas, depois de terem tido a hipótese de fazerem as “provas de recuperação” (de faltas), a que faltaram ou onde obtiveram aproveitamento Insuficiente. Sendo assim, não lhes foram relevadas as faltas. Outros, com excesso de faltas, conseguiram apesar de tudo passar, pois tiveram aproveitamento nas provas. Àqueles que tinham 4 ou 5 negativas, alguns professores tomaram a iniciativa de subir a nota. Um dos alunos foi decidido pelo Conselho de Turma que transitasse mesmo com 4 negativas. Um dos reprovou, porém, como já é segunda retenção ao longo da sua escolaridade, o caso terá que ir a Conselho Pedagógico, que decidirá se pode chumbar ou não. A estes casos aplica-se a chamada Avaliação Extraordinária, com relatórios do DT, consulta ao SPO (Serviço de Psicologia e Orientação), ao Encarregado de Educação e, por fim, Conselho Pedagógico. É mesmo para dificultar o “insucesso”.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Últimos dias


Auto-avaliações multiplicadas em todas as disciplinas, mais as auto-avaliações nas ACDN e a Auto-avaliação Global que irão integrar o processo individual do aluno: e não sei para quê, porque ninguém vai ler. Nem se sei se é uma estratégia (inútil) de auto-consciencialização do aluno, ou apenas uma forma de - segundo o ar dos tempos - fazer de conta que se avalia ou que tudo isso tem alguma valia.

As "crianças" tatuam-se com canetas de feltro na roupa e em todas as partes do corpo. Meninas e meninos abraçam-se longamente, e as meninas choram na hora da despedida (sabendo que vão mudar de escola ou que vão chumbar). Grandes emoções.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

As escravas


Numa reunião de DT (directores de turma), queixa-se uma colega do excesso de trabalho e de tarefas novas avulsas e sucessivas que são descarregadas para cima dos DT. "Isto é uma escravatura", acrescenta com propriedade. E recolhe das restantes professoras (são todas mulheres) uma espécie de anuência silenciosa. 

Aproxima-se agora a fase final do ano lectivo: é preciso renovar as matrículas, entregando os impressos aos alunos, recolhendo-os esparsamente ao longo dos dias, verificando se estão correctamente preenchidos pelos pais ou se devem ser completados, e, é claro, andar atrás dos relapsos; tudo isto para garantir que não haja abandono escolar, mesmo antes de terminado o ano e de feitas as avaliações. 

Além disso, é preciso iniciar o processo de "avaliação extraordinária" daqueles alunos que estão em risco de repetência repetida; é preciso enviar ao Serviço de Psicologia uma ficha individual; é preciso convocar os Encarregados de Educação destes alunos para saber a sua opinião.

Detrás dos biombos onde atendemos os pais, ouvi a seguinte conversa:
A DT: - Gostava de saber o que é que a senhora acha que será melhor para a sua filha: passar de ano ou repetir...
A mãe - Passar, claro que não! Atão ia ficar burra, tem que aprender outra vez tudo. Se passa fica burra. Há-de comer o pó do chão.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Esgotamento


Prestes a atingir o limite da exaustão, esqueço-me de coisas simples, engano-me nas aulas, já não respondo aos emails, quase não consigo ler e concentrar-me, acordo ansiosa, dói-me a cabeça continuadamente. Já reforcei as vitaminas. 

Começo a perceber que a conspiração maquiavélica se aproxima do seu desfecho e que previsivelmente todos os miúdos - mesmo sem saberem nada e mesmo os que se recusam a fazer qualquer coisa - vão progredir ou transitar de ano. Mas é tão injusto que todos passem com 3, quando alguns se esforçaram apesar de tudo para o conseguir. E afinal os que o não fizeram têm a mesma nota. Assim se recompensa a nulidade. 

Mesmo reconhecendo a bondade do espírito da lei que subjaz à ideia de todos os alunos devem poder progredir nas suas aprendizagens, não posso entender que se pretenda fazê-lo dentro de turmas tão heterogéneas, onde não é possível dar uma só aula produtiva. Dói-me a inutilidade do meu esforço.  

E o inferno continuará até ao 9º ano, onde então - dizem os pedagólogos do regime - se fará a avaliação de ciclo. Já assim passaram de ano até agora, e cada vez mais perceberão que de nada lhes serve trabalhar ou aprender pois - apesar dos sermões que ouviram todo o ano - não há consequências. A não ser quando chegarem ao exame de 9º ano. Todavia o governo vai resolver este problema, tornando a escolaridade obrigatória até ao 12º...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Participação



A deformação ética revela-se diariamente nas atitudes dos alunos, como esta "participação disciplinar" exemplifica:

«Durante a correcção do teste de recuperação relativo ao módulo 2, o aluno questionou-me sobre uma das respostas, que estava aparentemente certa mas que eu subclassifiquei. Expliquei-lhe o meu critério, dizendo que a classificação daquela alínea estava associada a outra alínea anterior que ele não respondera, pelo que em vez da cotação total (5%) lhe atribui 3. Depois de lhe explicar isto, o aluno insistiu e enquanto eu lhe respondia de novo, dizendo-lhe ainda que tinha usado o mesmo critério para todos os testes, interrompeu-me várias vezes já com tom de insolência, de modo que tive que lhe dizer que se calasse e me ouvisse; aí respondeu que eu não o podia mandar calar, porque ele tinha o direito de falar (por estas ou outras palavras); respondi-lhe, já levantando a voz, que se calasse ele porque eu o mandava calar; disse que não se calava e então mandei-o sair da sala; recusou-se, mantendo uma prosápia ininterrupta; insisti 3 ou 4 vezes para que saísse da sala, mas recusou sempre; então chamei o Conselho Executivo (por telemóvel); a professora do CE apareceu pouco depois e o aluno (na atitude de que fora ele quem tinha reclamado a sua presença) começou logo a dizer que queria queixar-se de mim, após o que saiu acompanhado. A atitude deste aluno é frequentemente de despique, de irreverência e de desobediência, se bem que dentro dos limites aceitáveis; ultimamente, porém – e desde a minha última participação – tem sido quase de escárnio, a dele e a de outros da turma, que fazem comentários entre eles e se riem frequentemente daquilo que eu digo. Por tudo isto – e já falei destas questões directamente com eles – reina na sala um espírito de desautorização que tenho dificuldade em compreender; um pouco a pretexto de tudo, mas sobretudo em desafio ou reacção às notas dos testes (quando não lhes agradam), o alunos têm o desplante de pôr em causa a avaliação que fiz dos seus testes. Ora, note-se que eu forneço a cotação detalhada das questões, bem como a cotação atribuída, para facilitar aos alunos a compreensão dos critérios de avaliação – não para que eles tentem furar o esquema e reclamar por capricho. A atitude deste aluno configura uma falta de respeito e de reconhecimento pelo meu papel de professora e pela minha capacidade profissional que atinge a insolência. A continuação desta atitude é já intolerável, porque já a tentei moderar de todas as maneiras que me foram possíveis. Na impossibilidade de resolver esta situação, peço ao Director de Turma que convoque o encarregado de educação e lhe explique a posição do seu educando, avisando que a nota do módulo 2 que será atribuída ao aluno contempla – como estipulado nos critérios de avaliação da escola e nas fichas de auto-avaliação fornecidas aos alunos – o parâmetro das atitudes».

Os professores, como se sabe, estão diariamente sob avaliação pública; e sempre foi assim. O que hoje falta é boa-educação.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A insolência


Entreguei os testes sobre Camões à turma de 10º ano: 50% de negativas numa dúzia de alunos, os resistentes, ou seja, os mais interessados. Avisei que tinha havido respostas copiadas e que normalmente isso implica anulação do teste, mas neste caso apenas exigiria que fizessem o teste de recuperação. Antes ainda de começar a habitual e necessária correcção, começaram os esclarecimentos fora da ordem de trabalhos: «Ó setora, as respostas não estão iguais. Veja aqui». Fui ver. Onde dizia "existe" num teste, dizia no outro "há". "São sinónimos", expliquei. "O resto da frase está igual".

Mas o aluno insistia. O que mais me espantou foi o descaramento, que não sei se é de ignorância ou de insolência. E voltou a insistiu. Encolhi os ombros e disse-lhes que para mim as palavras são transparentes, ainda que para eles possam ser nebulosas. (Para a semana hei-de explicar-lhes o conceito de plágio.)

A seguir outro aluno levantou a questão dos erros (ortográficos ou gramaticais) que, por método, desclassifico em 1 ponto sobre 200 (ou 0,05%) cada. «Nunca vi nenhum setor fazer isto, isto é injusto». Expliquei que o erro faz parte dos critérios de avaliação em língua portuguesa e que todos os professores os penalizam, podem é usar outro método. O rapaz começou a empolgar-se. Fui avisando: «Eu respondo a todas as dúvidas. Mas cuidado com a insolência». Controlou-se.

Nova investida do mesmo aluno, a tentar ter razão: «Este teste não está bem avaliado. Isto não é um teste para 7,5, é pelo menos para 8,5». Respondo: «Usei um critério igual para todos». Ataca de novo: «Eu vou mostrar o teste a outro setor a ver se não acham que é um teste para 8,5». Devolvo: «Acho bem, podes mostrar a quem quiseres. Mas olha que os meus colegas confiam no meu trabalho». Nem lhe disse que os critérios de avaliação são inevitavelmente pessoais, não são universais.

O primeiro volta à carga. Agora porque eu não os respeito e os trato por tu. Sorrio: «Pois é, é um hábito, mas é que tenho idade para ser vossa mãe». E ele a dar-lhe: «Os outros professores não nos tratam assim». Fiz então um arrazoado sobre as diferenças de tratamento, os contextos, as intenções e rematei dizendo que não me calha tratá-los de outra maneira, porque para mim são uns miúdos. E se querem ser tratados por você, então que se portem como gente adulta. «Não trata por tu os outros setores», disseram ao desafio. «Claro que sim, são da minha idade e já nos conhecemos há muito». «Mas não trata por tu o presidente da escola?» «Claro que trato, é meu colega».

Ainda lhes disse que tenho mais experiência que eles e que já passei por aquela idade. «Ai não passou não, a gente já passou muito!» Pacientemente: «Vocês terão outras experiências, mas eu tenho mais 30 anos que vocês. E de língua portuguesa sei muito mais». Continuaram a protestar (já não sei de quê). Perdi a paciência: «Estás reclamar porquê? Nem sequer sabes escrever». O miúdo saltou da cadeira. Corrigi: «Não sabes escrever bem, e é isso que estou aqui a ensinar-te».

O mundo anda virado ao contrário: eu não posso dizer aos alunos que escrevem mal; mas eles podem achar que eu não sei da minha profissão.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Avalização



Um ou dois milhares de gatos pingados frente ao palácio de Belém, contra a avaliação do desempenho docente. A luta esmorece. Na minha escola, não conheço, além de mim, quem se tenha recusado a entregar os objectivos individuais. Noutras escolas, a mobilização é mais fácil, pois foram tomadas posições colectivas de suspender a entrega dos "objectivos individuais".

O absurdo desta avaliação provém, descobri-o só agora, de uma aplicação cega do modelo de avaliação do desempenho na função pública - o chamado SIADAP, publicado em 2005 - às escolas. O "Novo sistema da avaliação da função pública" entrou em vigor em 31 de Dezembro de 2007, segundo o diarioeconomico.sapo.pt (em cache):

« No que diz respeito aos serviços, o SIADAP realiza-se com base nos seguintes parâmetros: objectivos de eficácia, de eficiência e de qualidade, sendo estes objectivos propostos pelo serviço ao membro do Governo de que dependa. A avaliação final pode ser classificada por desempenho bom (atingiu todos os objectivos, superando alguns), desempenho satisfatório (atingiu todos os objectivos ou os mais relevantes) e desempenho insuficiente (não atingiu os objectivos mais relevantes). Pode ainda ser atribuída uma distinção de mérito reconhecendo desempenho excelente, o qual significa superação global dos objectivos. Contudo, este desempenho de excelente só pode ser atribuído a 20% dos serviços de cada ministério».

Mas também na função pública o sistema se tem revelado pernicioso, estimulando a competição, em vez da colaboração, pois precisamente estabelece quotas de Excelentes, Muito Bons e Bons, que permitem progredir na carreira mais depressa. As quotas dividem arbitrariamente os trabalhadores em categorias, em vez de estimular a qualidade através do reconhecimento do seu trabalho. Também aqui os funcionários precisam de definir objectivos anualmente. Um motorista tem que estabelecer, por exemplo, 5000 kilómetros anuais de percurso; e será avaliado a posteriori em relação a esses objectivos que obviamente não dependem dele. Ridículo e inútil. Burocrático e absolutamente desadequado às práticas de uma escola.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

As quotas e as castas



Os professores andam malucos com esta história da avaliação, doidos com os objectivos que têm de preencher e entregar para a semana e com os "critérios de superação". Como na minha escola não houve qualquer mobilização colectiva, andam todos a dizer mal, mas ainda não encontrei nenhum que afirmasse não entregar os objectivos individuais (OI). É isso o que vou fazer e digo-o a todos com quem falo, pretendendo dar o exemplo. Mas a maior parte receia as represálias, pois os que aceitam o simplex2 serão avaliados pelo PCE.

Alguns estão dispostos a pedir avaliação pedagógica, o que implica aulas assistidas, portfolio e um avaliador da mesma área disciplinar. Mas aqui começam a surgir as armadilhas. De que serve concorrer para o Muito Bom, se as "notas" serão dadas por quotas? Pode até ter-se um desempenho MB, mas se não houver quota, fica-se apenas com Bom. E quem serão os escolhidos? Os que andam a amanteigar os superiores, comenta-se. Mas que quotas há, ninguém nos disse.

Os coordenadores de departamento (entre si coordenados) recusam-se a dar exemplos de como preencher os objectivos e dão informações mitigadas. Agora temos a casta dos titulares e coordenadores, que, sujeitos a uma avaliação administrativa feita pelo PCE, assumem o papel (ingrato, percebe-se) de transmitir a voz do dono e não dar opiniões. Estão distantes dos outros, não podem, dizem, tomar posição. Foram instrumentalizados já por este regime hierárquico que os sujeita à obediência. Questões de pormenor remetem para o PCE. (Mas estará o PCE disponível para tirar dúvidas pontuais a 120 professores?)

O PCE, esse, já não é dos nossos, é mero emissário das políticas do ME e contorcionista entre regulamentos e despachos. O "povo" já murmura entre dentes contra a hipocrisia dos "administrativos". O PCE, efectivamente eleito pelos colegas, já não os representa hoje. A democracia acabou.

Valentes e coerentes são os 139 PCE e as centenas de escolas que, em moção colectiva, suspenderam a entregas dos OI.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

De sol a sol



Hoje foi a "jornada de reflexão e luta", marcada pelos sindicatos, dia em que se fizeram, ou fariam, reuniões de professores sobre a avaliação docente, com faltas justificadas ao abrigo da lei sindical. Fariam, na minha escola. Pois nem sequer o painel sindical tinha afixado o anúncio da jornada e da greve do próximo dia 19. Não havia informação nenhuma. Cheguei muito cedo à escola e, armada em delegada sindical, dediquei-me a afixar nas vitrines dos armários um rol de informações que retirei da internet, ao mesmo tempo que marquei uma reunião para a hora de almoço. A quem chegava e perguntava pela reunião, eu respondia que a reunião era aquela conversa informal e a discussão do assunto sobre o qual não me considero sequer suficientemente esclarecida.

Em todo o caso, já defini uma posição que defendi perante os colegas com quem travei diálogo: a recusa em entregar os objectivos individuais, segundo estratégia recomendada pelos sindicatos - e sem possibidade de sanção, ao contrário do que ameaçou o secretário de estado Pedreira. Esta recusa assumo-a enquanto tomada de posição profissional e política de rejeição deste modelo de avaliação. Não creio que tenha convencido nenhum colega. O nível de cobardia nesta escola chega a ser chocante.

Note-se que a entrega dos objectivos individuais não é obrigatória nem está consignada na lei como etapa do processo de avaliação. O que é obrigatório é a auto-avaliação do professor no final do ano lectivo. Só aí se inicia o processo de avaliação.

Eis os documentos que afixei hoje nas paredes:
Documento de Apoio à discussão
Guião para a discussão
Tomada de Posição de Escola
PROmova - Comunicado
Opção: Não Entregar os Objectivos Individuais
As consequências da não entrega dos objectivos individuais
Perguntas e respostas sobre a avaliação de desempenho: a perspectiva do website do ME
Da Irrelevância Dos Objectivos Individuais Para O Processo De Avaliação À Luz Do ECD
Os Objectivos Individuais No Decreto Regulamentar 2/2008
Os Objectivos Individuais No DR 1/2009-A
A Avaliação Pelo Expresso

A meio do dia tive a prenda de ser nomeada instrutora de um processo disciplinar. Saí da escola ao pôr do sol.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Os objectivos



A semana começou sob o signo da avaliação. De acordo com o chamado "simplex 2" da avaliação, o conselho executivo estabeleceu um prazo para a entrega dos objectivos individuais de cada professor, que devem deduzir-se dos objectivos de escola, que por sua vez transpõe os objectivos nacionais, que são: reduzir o insucesso e o abandono escolar.

A avaliação incide agora apenas sobre quatro parâmetros, eliminados que foram pela ministra, qual benesse natalícia, os outros dois mais polémicos: a "melhoria dos resultados escolares dos alunos" e "a redução do abandono escolar". Resta então avaliar:

A. a "prestação de apoio à aprendizagem dos alunos incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem",
B. a "participação nas estruturas de orientação educativa",
C. a "relação com a comunidade" e
D. a "formação contínua adequada ao cumprimento de um plano individual de desenvolvimento profissional do docente".

Quanto à avaliação da componente cientifico-pedagógica - indispensável para obter um Muito Bom ou Excelente - é só para quem a pedir, e aqui se incluem as aulas assistidas e a apresentação de portfolio.

Assim, por exemplo, a "ficha de definição de objectivos individuais" estabelece, no parâmetro A, como "padrão esperado": "melhorar os resultados escolares em 50% dos alunos assíduos, até ao final do ano"; e como "padrão de excelência": "melhorar os resultados escolares em 70% dos alunos assíduos, utilizando estratégias diferenciadas até ao final do ano lectivo". A percentagem de melhoria condiciona a atribuição da classificação Muito Bom ou Excelente (respectivamente).

Para obter uma percentagem maior de melhoria, convém aos professores começar por avaliar os alunos bastante por baixo, no início do ano. E melhorá-los até ao final, onde sabemos que acabarão quase todos por passar de ano... Agora entendo de outra maneira a razia sem dó dos professores no 1º período, aquilo que eu pensava ser exigência e recusa da hipocrisia.

As fichas que temos que preencher (diferentes em cada escola) são - a meu ver - abstrusas; uma perfeita anormalidade que não se percebe como preencher nem parece conter nada de relevante. Para cada um dos quatro parâmetros, o professor deve indicar, à partida:
1. os objectivos individuais propostos;
e prever o "grau de cumprimento", estabelecendo:
2. "indicadores / critério de medida"
3. "fontes de recolha" e
4. "critério de superação".

Estas dos critérios de superação é que eu acho demais. Eu proponho-me como objectivo fazer x horas de formação certificada (obrigatória) com nota de Bom; o critério de superação será ter nota de Muito Bom. Eu participo em tais e tais estruturas educativas; o critério de superação será participar ainda em mais? Eu proponho como objectivo apoiar individualmente os alunos, mas tenho ainda que pensar no critério de superação; e qual será: apoiar mais alunos? apoiar melhor?!

No caso, por exemplo, do parâmetro "redução do abandono escolar" (excluído transitoriamente), tínhamos que se eu conseguisse evitar o abandono escolar de 2 alunos estava dentro do "padrão esperado"; se conseguisse evitá-lo em mais alunos, seria agraciada com o "padrão de excelência". E se eu não tivesse casos de abandono escolar para salvar? E como é que se prova que se evitou uma coisa que não chegou a acontecer? O aluno faltava, faltava, e consegui convencê-lo, obrigá-lo, atraí-lo a frequentar as aulas? Ou o aluno era desinteressado, mas consegui que viesse às aulas. E que "fontes de recolha" podia eu apresentar para comprovar a minha acção? Os relatórios, as actas, tudo quanto é papelada; mas certamente não seria fácil de verificar o trabalho de diálogo e persuasão que - esse sim - constitui o cerne da relação pedagógica...

A lógica deste sistema parece ser: definir objectivos baixos para depois provar que são superáveis. Ora, isso, para mim, é a lógica da mediocridade. Os meus objectivos costumam ser, sempre e antes de mais, cumprir o programa de aprendizagem e outras funções necessárias. Os programas curriculares, como toda a gente sabe, foram sempre difíceis de cumprir, pela sua extensão ou ambição. Mas trabalhávamos para esse objectivo talvez alcançável. Tentávamos ir tão longe quanto possível. O que cada vez é mais difícil. Por isso, só me acharei em condições de saber que objectivos consegui atingir quando chegar ao fim do ano. Sei que ficarão sempre aquém do que desejava, mas sei que foram o máximo que consegui fazer. Também sei que a excelência nesta profissão é um mito.

A avaliação da componente organizativa ou burocrática - a única que é actualmente exigida - considera que, se em vez de 100 conseguirmos fazer 120, temos um desempenho excelente. Ora, nas profissões onde se joga com o factor humano, não é possível estabelecer objectivos como numa fábrica de sapatos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Imobilização



Depois dos ataques soezes do ministério aos professores, depois da hierarquização artificial da carreira docente que põe uns a obedecer aos outros em pirâmide de coacção directa provinda do ministério, depois da palhaçada de uma avaliação tornada mero cumprimento de procedimentos burocráticos, depois do suborno aos presidentes dos conselhos executivos, depois do golpe fatal na gestão democrática que antecipa a entrada em cena dos directores, depois da chantagem do Secretário de Estado para desmobilizar a greve dos professores prevista para dia 19, das ameaças várias, da perfídia reiterada por Sócrates de que os professores nunca antes foram avaliados, depois disto e tanto mais, que nos resta fazer?

Apesar da união que se viu na manifestação de Novembro e na greve de Dezembro, sinto que o ministério conseguiu confundir e dividir os professores. Pôs a avaliação a saldos: aproveitem este ano, que a avaliação está fácil, para o ano já contam os resultados dos vossos alunos... Os professores começam a pensar individualmente: se se recusam a ser avaliados, os colegas ao lado passam-lhes à frente, ocupam os poucos lugares que haja ou venha a haver, é uma carreira queimada.

Na minha escola, não vejo qualquer mobilização colectiva, e os que se manifestam estão todos mais ou menos dispostos a sujeitarem-se à avaliação, por muito estúpida e injusta que seja. Quem estará disposto a fazer perigar o seu ganha-pão e o futuro-futuro?

sábado, 20 de dezembro de 2008

Sábado



Para não terem que trabalhar no dia 24 de Dezembro, os professores optaram por ter reuniões de avaliação neste sábado.

«A professora da disciplina [...] justifica o elevado número de níveis inferiores a três pela falta de empenho, interesse e responsabilidade, aliado a uma enorme carência de hábitos de estudo e trabalho, assim como uma fraca ambição de perspectivas futuras. É de notar também a falta de atitude cívica e social assim como a dispersão perante as matérias leccionadas. Perante isto, a fraca capacidade de compreensão e expressão mostra-se natural como consequência. Por fim, os objectivos dos alunos situam-se sempre fora do âmbito escolar, levando também a que o seu comportamento se mostre perturbador e influenciador de níveis negativos». Fim de citação.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Avaliações (2)



Dia de reuniões. Na "minha" turma de 7º ano, metade dos professores dão mais de 50% de níveis negativos e apresentam a devida justificação por escrito. As causas são: desinteresse, recusa em trabalhar, má preparação, competências não desenvolvidas, indisciplina, faltas repetidas, etc. Destes 24 alunos, 15 serão sujeitos a "planos de recuperação" no próximo período, o que significa apoios extra a alguns (sujeito às disponibilidades para apoios educativos nos horários dos professores) e medidas de apoio dentro da sala de aula, além do necessário acompanhamento em casa pelos pais. Ou seja, mais de metade da turma, a que não quer aprender, será considerada como estando em regime de recuperação nas mesmas aulas onde não querem estar.

Pressenti - e percebi - que os professores estão fartos da palhaçada da avaliação e não estão já dispostos a participar na fraude estatística do sucesso educativo. As notas espelham uma realidade incontornável. Não é possível trabalhar nestas condições. Pois o ministério reduziu os meios necessários para horas de apoio individualizado e para serviços especializados de apoio psicológico. Em acta de conselho de turma ficou escrito que só se conseguiria trabalhar com turmas com metade dos alunos, como acontece em algumas disciplinas científicas e artísticas. Ou com o regime de co-docência: dois professores na aula.

Mas a opinião pública continua a pensar ou a fazer crer que os protestos dos professores se devem apenas aos trâmites da sua própria avaliação. A razão por que 75% se pudesse deixaria esta profissão é por tudo o mais que nos inferniza a vida: o desrespeito geral, a indisciplina, a falta de condições e a burocracia que nos retira tempo para trabalhar para os alunos. Por isso, a palavra de ordem mais usada tem sido: "Deixem-nos ser professores". Parece que ninguém entende ou não quer ouvir este apelo, que é de desespero.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Avaliações e avaliação



Enquanto os alunos e pais ajustam contas particulares, os professores embrenham-se no rol das avaliações dos seus pupilos. Não se lhes pode comunicar as notas antecipadamente, pois as decisões finais serão dos Conselhos de Turma. As DTês inserem faltas e classificações no sistema informático, arruma-se a papelada, preparam-se os relatórios dos apoios dados, das provas de recuperação, da justificações dos níveis de insucesso, etc.

Mas os professores - que são e sempre foram os especialistas da avaliação dos conhecimentos, das aprendizagens e das competências - agora não aceitam ser avaliados por um sistema absurdo, injusto e inexequível. Um modelo tecnocrático que - só este ano e com este simplex - promete dar um Bom e assegurar a progressão na carreira a quem executar simplesmente a parte administrativa do seu trabalho. A avaliação das competências pedagógicas, essas sim, as principais, só serão exigíveis a quem quiser ter nota de Muito Bom ou Excelente.

E se a ministra, por via do simplex de última hora, deixou cair (mas só este ano) a avaliação dos professores em função dos resultados dos seus avaliados - outros pedagólogos continuam a defender que os professores têm que ser avaliados pelas notas dos alunos. Quem fala assim não conhece a escola, nem sabe o que é ensinar. Não sabe nem pode avaliar...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Avaliação parada



O modelo de avaliação dos professores proposto pela plataforma sindical, que alguns jornais e comentadores ligeiros chamaram "auto-avaliação", é muito mais do que isso: começa, como não podia deixar de começar, pela auto-avaliação (que é um relatório da actividade desenvolvida por cada professor) e tem duas instâncias de avaliação superior. É um modelo perfeitamente equilibrado e justo.

Mas, dê por onde der, a avaliação está parada e pode ficar parada:
Como estoirar com a avaliação burocrática sem cometer ilegalidades?

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Mudam-se os tempos



Creio que se terá compreendido abaixo - (1) e (2) - que a legislação que modificou o estatuto do aluno em 2008 pretende criar todo o tipo de obstáculos e mecanismos de retroacção que impeçam a retenção dos alunos no mesmo ano. Com beneficios estatísticos, já se vê.

Assim, se o aluno falta, faz-se-lhe uma prova de recuperação para limpar todas as anteriores faltas; se ele é desmotivado, desinteressado ou tem problemas de aprendizagem, o professor de cada disciplina tem a obrigação de o apoiar dentro e fora das aulas colectivas. Se não o assinalar atempadamente, então é porque o aluno não tem problemas, logo, deve passá-lo no final do ano; ou então os EE poderão recorrer da avaliação e invocar a falta de apoios. Como são muitos os alunos nesta situação, não há professores que lhes cheguem. Para mais, a maioria destes alunos despreza a escola e os professores e ninguém os fará aprender o que quer que seja, nem sequer obrigá-los a vir às aulas. Se vierem é para perturbar os que querem aprender. É tempo perdido numa causa perdida. Mas passar passam.

Quando fui aluna, tive professores exigentes. Quando me tornei professora fui sempre (considerada) exigente. E sou exigente comigo própria. O que podemos esperar desta novíssima geração educada no laxismo e na irresponsabilidade? A mediocridade, a ignorância... e que mais?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

De Maquiavel a Kafka (2)



Antes da nova lei 3/2008, os alunos com Necessidades Educativas Especiais tinham direito a apoio dos serviços de psicologia e os que tinham dificuldades de aprendizagem tinham apoios educativos ou tutorias dados por professores com horas a isso destinadas.

Agora, as condições para obtenção de apoios de psicologia estão muito mais limitadas; e os apoios normais devem ser dados pelo próprio professor do aluno, e "de preferência dentro da sala de aula". Ora, se já é difícil fazer pedagogia diferenciada (nos tempos actuais mais do que nunca), pode bem perceber-se a impossibilidade que é dar apoio individual dentro das aulas colectivas.

E sendo o próprio professor o único incumbido de remediar os males, lacunas, atrasos e dificuldades de todo o tipo (que são muitas) dos seus alunos (que são muitos), nenhum professor deseja sobrecarregar-se de horas extraordinárias... para se tornar vítima do seu próprio zelo.

No entanto, a lei actual determina que os alunos com dificuldades detectadas sejam sujeitos a Planos individuais de Acompanhamento ou de Recuperação. Mas, afinal eles são todos tão fracos que seria impraticável apoiá-los a todos. Então o que podem os professores fazer?

Se realmente eles têm dificuldade, faz-se como a lei obriga: apoia-se mesmo dentro da aula. Portanto, baixa-se o nível. E se os alunos foram apoiados, então, devem passar, porque evoluíram o mais que podiam. Se o professor não declarou que um aluno precisava de apoio, então não pode retê-lo (chumbá-lo). Assim no fim do ano passam todos.

Os que são bons alunos, os coitados, também deveriam ter apoios educativos para compensar o baixo nível de exigência e desenvolvimento cognitivo que é pedido à maioria. A falácia da pedagogia diferenciada e a hipocrisia dos apoios educativos serve, afinal, apenas para promover a passagem automática. E tudo isto resulta na nulidade do valor do ensino.

Mas, como já várias vozes vêm dizendo, pretende-se muito mais do que boas estatísticas. Pretende-se minar o ensino público, para abrir ao privado as auto-estradas da educação.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ministra mente



Quem ouviu hoje a entrevista da ministra (na RTP1) pôde bem avaliar a sua tenacidade, a sua demagogia de sucesso, a capacidade para dar a volta aos argumentos. Mas há mentiras subtis que só servem - mais uma vez e sempre - para fazer dos professores autênticos bodes expiatórios. Há coisas mínimas que qualquer cérebro regista definitivamente.

Qual foi essa mentira? Só quem é professor a sabe. A ministra disse que até agora qualquer pessoa entrava na carreira de professor sem passar por nenhuma avaliação. Disse-o, com estas ou outras palavras, na entrevista que pode ser revista aqui. Falso. É absolutamente falso.

Para se ser professor sempre foi preciso fazer estágio e ser avaliado, inclusive com aulas assistidas. Hoje todos os professores são profissionalizados. Talvez há 20 anos ainda não o fossem, pois havia carência deles. Hoje muitos profissionalizados estão desempregados. Todos entraram na carreira depois de avaliados em funções pedagógicas.

Apesar de todas as outras "inverdades" que a ministra proferiu, nunca ouvi mentira mais demagógica e injusta. E até a deputada do Bloco de Esquerda, com a intenção de rebater os clichés, os reforçou - quando disse que é errado pensar que os professores não fazem nada. Mas não é errado, é falso. E é improdutivo repeti-lo, porque o que fica na ideia das pessoas é apenas uma atenuante da ideia central que permanece: a de que os professores não fazem nada...

É por estas e por outras que os alunos já não acreditam em nós e nos tratam abaixo de cão. Aguentamos com as culpas de toda a sociedade e somos os bombos da festa dos filhos de todas as "famílias" deste país. Triste vida.

domingo, 16 de novembro de 2008

Aplicação obrigatória da curva de Gauss


«Nas avaliações do 1º período, vou seguir o exemplo da Ministra (...) da educação,vou estabelecer quotas nas notas já do primeiro período. Assim: 5% para o Excelente e 10% para o Satisfaz Bastante. Se no resto da turma tiver mais alunos com avaliações destes níveis, paciência, ficam com Satisfaz. Assim promovo o mérito dos alunos. Se os pais se sentirem revoltados que se queixem à ministra. Se é bom estabelecer quotas para os professores, deve ser excelente para os alunos. »

Recebido por email. Texto de João Paulo Silva in Público online, sem data, que já circula nos blogues desde há dois anos.